Quanto sua planta pagou de excedente de reativos em 2026? Faça a conta antes do orçamento de 2027

Todo fim de ano a mesma cena se repete nas indústrias: o orçamento do ano seguinte é fechado, a manutenção pede verba para o painel e a resposta é “vamos ver em 2027”. O problema é que, enquanto ninguém olha, a distribuidora continua cobrando todo mês uma linha da fatura que pouca gente sabe ler. Ela aparece como UFER, DMCR, energia reativa excedente ou EREX, dependendo da concessionária. Para consumidores do grupo A, essa linha é dinheiro pago por energia que não gerou trabalho nenhum.

O que diz a regra

A Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL, que substituiu a antiga REN 414/2010, mantém o fator de potência de referência em 0,92, indutivo ou capacitivo, como limite mínimo para unidades consumidoras do grupo A. O grupo B, por não ter fator de potência de referência, não pode ser cobrado pelo reativo excedente. A avaliação é feita em base horária: o fator de potência é calculado em cada intervalo de uma hora, e tanto a energia reativa excedente quanto a demanda reativa excedente entram no faturamento. Na prática, a média mensal “boa” não protege ninguém. Basta um turno com motores operando em vazio ou com o banco travado em um estágio para gerar cobrança naquelas horas.

A mesma resolução também define que a instalação de bancos de capacitores não pode provocar transitórios ou ressonâncias que prejudiquem a rede da distribuidora ou de outras instalações. Ou seja, corrigir o fator de potência é obrigação de quem paga a conta, mas corrigir mal também é problema.

Como achar o número na sua fatura

Pegue as últimas 12 faturas e procure as linhas de energia reativa excedente (em kvarh ou como UFER) e de demanda reativa excedente (DMCR ou similar), separando ponta e fora de ponta. Some os valores em reais. Esse total é o custo anual do reativo na sua planta.

Para ter uma ordem de grandeza, a cobrança da energia reativa excedente segue esta lógica, aplicada hora a hora:

ERE = consumo ativo no intervalo × (0,92 ÷ FP medido − 1) × valor de referência da distribuidora

Uma estimativa simplificada ajuda a visualizar. Uma planta que consome 100.000 kWh por mês com fator de potência médio de 0,85 gera cerca de 8.235 kWh de reativo excedente faturável no mês. Com um valor de referência ilustrativo de R$ 0,30 por kWh, são aproximadamente R$ 2.470 por mês, perto de R$ 30 mil por ano, sem contar a demanda reativa excedente. Os números reais dependem da tarifa da sua distribuidora e do perfil horário da carga, por isso a fatura é o ponto de partida.

O custo que não aparece na conta

A multa é só a parte visível. Para a mesma potência ativa, uma instalação operando com fator de potência 0,85 conduz cerca de 8% mais corrente do que operando em 0,92. Como as perdas por efeito Joule crescem com o quadrado da corrente, isso significa aproximadamente 17% a mais de perdas em cabos e no transformador. O guia técnico de instalações elétricas da Schneider Electric lembra que a correção do fator de potência libera capacidade do transformador e reduz queda de tensão, o que muitas vezes adia a troca do trafo quando a planta precisa crescer.

E isso pesa porque a carga típica da indústria é indutiva por natureza. Segundo a plataforma de sistemas motrizes da IEA (EMSA), motores elétricos respondem por 72% do consumo de eletricidade no setor industrial. Motor é reativo, e reativo sem compensação vira corrente circulando à toa no seu QGBT.

Leve o número para a reunião de orçamento

O técnico que chega na reunião dizendo “o fator de potência está baixo” ouve “depois a gente vê”. O técnico que chega dizendo “pagamos R$ 30 mil de excedente de reativos este ano e o banco se paga em X meses” consegue a verba. A MF Capacitores faz o diagnóstico a partir das suas faturas e do perfil de carga, dimensiona o banco em kvar com estágios adequados ao seu regime de operação e verifica o risco de ressonância harmônica antes de qualquer instalação.

CTA: Envie as últimas 12 faturas para a equipe técnica da MF Capacitores e receba o levantamento do custo de reativo da sua planta: https://mfcapacitores.com.br/bancos-de-capacitores/

Fez a conta? Comente a faixa que você encontrou: até R$ 5 mil, entre R$ 5 mil e R$ 20 mil ou acima de R$ 20 mil por ano.

Referências

  • AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Resolução Normativa nº 1.000, de 7 de dezembro de 2021. Estabelece as Regras de Prestação do Serviço Público de Distribuição de Energia Elétrica. Brasília, DF: ANEEL, 2021. Disponível em: https://www2.aneel.gov.br/cedoc/aren20211000_1.pdf. Acesso em: 20 out. 2026.
  • O SETOR ELÉTRICO. A Resolução 1000 da Aneel. O Setor Elétrico, São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.osetoreletrico.com.br/?p=42765. Acesso em: 20 out. 2026.
  • IEA 4E ELECTRIC MOTOR SYSTEMS PLATFORM (EMSA). Policy Brief #9: Electric motor systems: why are they important? Paris: IEA 4E, 2025. Disponível em: https://www.iea-4e.org/emsa/publications/policy-brief-electric-motor-systems-why-are-they-important/. Acesso em: 20 out. 2026.
  • SCHNEIDER ELECTRIC. Why improve the power factor? In: Electrical Installation Guide. Rueil-Malmaison: Schneider Electric, [s.d.]. Disponível em: https://www.electrical-installation.org/enwiki/Why_improve_the_power_factor%3F. Acesso em: 20 out. 2026.
  • MF CAPACITORES. Bancos de capacitores. Limeira, SP: MF Capacitores, 2026. Disponível em: https://mfcapacitores.com.br/bancos-de-capacitores/. Acesso em: 20 out. 2026.

Posts Recentes

    Load More

    End of Content.